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Liminar Deferida: O plano não cumpriu?Como garantir o tratamento

Existe frustração maior do que a sensação de uma
“vitória no papel”? Após dias de angústia, a notícia
chega: o juiz concedeu a liminar! O alívio é imediato,
mas, 24 ou 48 horas depois, o hospital informa que a
operadora ainda não enviou a autorização. O que era
para ser o fim do pesadelo torna-se uma nova e
torturante espera.
O descumprimento de uma ordem judicial em casos
de saúde não é apenas um erro administrativo; é um
ato de desrespeito à vida e à autoridade do Judiciário.
Se o plano decidiu ignorar a ordem, ele está jogando
com o tempo, esperando que o cansaço ou a
gravidade da doença vençam a batalha antes da
justiça. Mas é aqui que o Direito deixa de ser uma
conversa e passa a ser uma execução implacável.
A “Resistência Passiva”: Por que as operadoras
ignoram o juiz?
Muitas operadoras operam sob uma lógica fria de
custo-benefício. Elas sabem que a multa diária
(astreintes) pode demorar a ser cobrada ou ser
reduzida futuramente. Para algumas gigantes, pagar
uma multa de mil reais por dia parece “mais barato”
do que autorizar imediatamente um tratamento de
alto custo.
É a estratégia da resistência passiva. O plano não diz
que não vai cumprir; ele simplesmente não
responde ou alega “análise técnica”. Meu papel
como advogada é quebrar esse silêncio e mostrar
que o custo da desobediência será muito maior do
que o custo do tratamento.
Apertando o Cerco: Ferramentas de Pressão
Imediata
Quando uma liminar é descumprida, precisamos de
medidas de choque. Existem três ferramentas
principais para forçar o cumprimento em tempo
recorde:

  1. Bloqueio de Valores (Bacenjud): Se o plano não
    autoriza, pedimos o bloqueio imediato do valor
    necessário para o procedimento particular. O
    dinheiro sai da conta da operadora e vai para o
    hospital. Quando o “bolso” é atingido, a
    autorização costuma aparecer em minutos.
  2. Majoração da Multa: Se a multa inicial não
    assusta, pedimos que ela seja elevada para
    patamares drásticos, como R$ 10.000,00 ou R$
    20.000,00 por dia. Isso muda rapidamente as
    prioridades do setor financeiro da operadora.
  3. Crime de Desobediência: Solicitamos que o juiz
    expeça ofício à autoridade policial para apurar
    crime de desobediência contra o gestor
    responsável. A possibilidade de
    responsabilidade criminal encerra qualquer
    tentativa de “corpo mole”.
    O Papel da Família na Prova do Descumprimento
    Para agirmos com rapidez, a colaboração da família
    é essencial para provar a inércia da operadora:
    Protocolos: Ligue para o plano, informe a
    liminar e anote o protocolo.
    E-mails: Envie a decisão para o setor de
    autorizações e guarde o comprovante.
    Oficio para a operadora: Protocole a decisão que
    tem força de oficio para que o prazo de
    cumprimento inicie imediatamente, tão logo o
    juízo defira a liminar.
    Com essas provas, “desenhamos” para o juiz a máfé da operadora, o que autoriza as medidas severas
    de bloqueio de contas.
    A Janela de 24 Horas: O Tempo não Espera
    No Direito da Saúde, o tempo não é contado em dias
    úteis, mas em batimentos cardíacos. Uma
    quimioterapia atrasada ou uma cirurgia postergada
    pode significar a perda de uma chance de cura. Por
    isso, nossa atuação após a liminar é de plantão
    permanente.
    O descumprimento gera ainda um novo direito: a
    majoração do Dano Moral. O sofrimento de ter uma
    ordem judicial nas mãos e ser ignorado é uma forma
    de tortura psicológica que os tribunais punem com
    severidade.
    Conclusão: Ordem Judicial não é um convite
    Uma liminar não é uma sugestão ou um convite para
    negociar. É uma ordem. E ordens em casos de vida
    ou morte devem ser cumpridas com a mesma
    velocidade com que o plano cobra a mensalidade. Se
    a operadora tenta ser burocrática, nós seremos
    executores. Sua vida não pode esperar o tempo do
    algoritmo de uma empresa. Com os nossos,
    ninguém mexe.
    O Olhar da Marcia
    “Ganhar uma liminar e ver o plano descumpri-la é
    como ver um resgate parar a poucos metros de uma
    vítima. É uma crueldade que eu não tolero. Quando o
    plano decide ignorar o juiz, ele está testando nossa
    força. Minha resposta é imediata: se não há
    autorização por bem, haverá bloqueio de contas por
    mal. Eu não descanso enquanto o papel da sentença
    não se transformar no acesso real ao hospital. O
    Direito existe para ser efetivo, e minha voz é o
    instrumento que garante que a autoridade da lei seja
    respeitada. Aqui, a justiça tem pressa porque a vida
    não espera.”
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MARCIA GIORGI
Marcia Giorgi

Advogada especialista em direito médico e da saúde.
Especialização em execução processual civil.
Membro / secretaria geral da Associaçao Brasileira de Advogados ABA Nacional 2023-2025
Membro da Associação Brasileira de Advogada Coautora
Coautora do livro Direito à Saúde em evidência sobre o tema: Neurodiversidade e direito: Uma análise sobre o reconhecimento e inclusão das pessoas neurodiversas na sociedade contemporânea – Vol.I - 2023
Coautora do livro Direito à Saúde em evidência com o capítulo: A nova Lei de Acompanhamento à mulher Vol. II - 2024
Coautora do livro Prática em ações de Direito da Saúde com o capítulo: Os direitos do paciente terminal: Uma análise Jurídica sobre os cuidados paliativos e a jornada terminal da vida Vol. I 2024

Coautora do livro Direito à Saúde em evidências com capítulo: A inconstitucionalidade por omissão na falta de regulamentação da CONITEC: Uma violação aos Direitos Fundamentais da Saúde e da Vida. Vol. III

Colunista do Blog eletrônico da Master Legal News. 2025

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