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PLANO DE SAÚDE DESCREDENCIOU HOSPITAL, CLÍNICA OU MÉDICO? ENTENDA SEUS DIREITOS

Você marcou uma consulta, ligou para confirmar o convênio — e ouviu que o hospital não atende mais pelo seu plano. Ou chegou na clínica com a carteirinha na mão e recebeu a notícia: “saiu da rede”.

Muitas pessoas escolhem um plano de saúde justamente pela rede: aquele hospital de referência, o laboratório de confiança, o médico que acompanha há anos. Quando essa rede é retirada do convenio  sem aviso, a sensação é de ter pago por algo que simplesmente não entregou ou veio com defeito.

O plano pode alterar a rede credenciada — mas não pode fazer isso de qualquer forma. Sem comunicação prévia, sem substituto equivalente ou prejudicando tratamento em andamento, o descredenciamento pode ser ilegal.

Plano de saúde não pode vender por uma rede de excelência e não entregar  ou modificar a entrega e qualidade no percurso do contrato . O contrato precisa ter utilidade real para o paciente.

O que é descredenciamento no plano de saúde?

Descredenciamento é quando um prestador — hospital, clínica, laboratório, médico ou terapeuta — deixa de fazer parte da rede do plano.

Na prática: o beneficiário não consegue mais ser atendido naquele local usando o convênio.

O problema não é apenas a saída do prestador. É como essa saída acontece — e o que o plano faz depois disso.

Quando o plano pode descredenciar e quando não pode? RN 585/2023: Mais Transparência e Segurança

No cenário da saúde suplementar, a estabilidade da rede assistencial oferecida aos beneficiários é resguardada por um duplo arcabouço normativo da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que distingue rigorosamente as regras de transição estrutural.

A Lei nº 9.656/1998 determina que a substituição de entidade hospitalar deve ocorrer por outro prestador equivalente e mediante comunicação prévia de 30 dias ao consumidor e à ANS. Regras mais recentes da ANS, RN ANS nº585/2023, exigem também comunicação individualizada ao beneficiário e regras estritas de equivalência com base no uso dos últimos 12 meses.

Um dos avanços mais significativos é que, se o hospital descredenciado for responsável por mais de 80% das internações daquela região nos últimos 12 meses, a operadora não pode simplesmente retirá-lo sem uma substituição imediata e robusta. Isso evita o “vazio assistencial” que prejudica milhares de pessoas.

Outra modificação bem relevante com a RN 585/2023 , foi o direito à portabilidade de carências sem prazo de permanência. Se houver descredenciamento de entidade hospitalar no seu município, você pode mudar para outro plano sem precisar cumprir carências e, o que é melhor, sem a exigência de compatibilidade de preço. Ou seja, você pode migrar para um plano que ainda mantenha o hospital de sua preferência de forma muito mais simples.

Para clínicas, laboratórios e outros prestadores não hospitalares, a RN ANS nº 365/2014 impõe a mesma lógica: substituto equivalente + aviso com 30 dias de antecedência.

Não basta dizer “saiu da rede, procure outro”. A substituição precisa preservar o atendimento contratado.

E se o paciente estiver internado?

Se o descredenciamento ocorrer durante uma internação, a operadora deve garantir a continuidade do atendimento até a alta hospitalar — obrigação prevista no art. 17 da Lei nº 9.656/1998. Plano não pode virar para a família e dizer “agora não atende mais, boa sorte”. Isso é ilegal. É proibida qualquer transferência forçada ou interrupção dos cuidados.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) entende que romper um tratamento hospitalar viola a dignidade e a segurança do consumidor. Interromper uma internação em curso gera riscos graves à saúde, configurando uma prática abusiva passível de punição e processos por danos morais.

Quando o descredenciamento é abusivo?

Então quando eu contrato um plano de saúde sempre terei acesso a mesma rede ? Não é isso que esse artigo mostra, aqui está sendo ressaltado as práticas abusivas de descredenciamento.

O plano de saúde pode sim descredenciar, modificar sua rede desde que respeite as regras e não coloque o beneficiário numa situação de vulnerabilidade e não quebre o contrato pactuado entre as partes.

Em caso de quebra de contrato e descredenciamento sem seguir as regras ditadas pela ANS, o beneficiário pode pleitear seus direitos de acesso  e para isso , para facilitar o acesso ou via administrativa ou judicial , segue uma lista de documentos essenciais para a discussão:

  • Contrato do plano
  • Print da rede credenciada com o prestador (site ou aplicativo)
  • Print mostrando que o prestador saiu da rede
  • Protocolos de todos os contatos com a operadora
  • Resposta formal do plano (e-mail ou carta)
  • Relatório médico e pedidos de tratamento em curso
  • Declaração da clínica, hospital ou médico informando o descredenciamento
  • Comprovantes de gastos particulares, se houver
  • Reclamação na ANS, se registrada

Se o plano retirou hospital, clínica, laboratório ou médico sem comunicação adequada, sem substituto real ou durante tratamento em andamento, o beneficiário tem razão em questionar — e o Direito oferece caminhos para isso.

O plano de saúde tem o dever de garantir a continuidade e a qualidade do atendimento contratado. O descredenciamento não pode ser uma ferramenta de redução de custos às custas da saúde do paciente. Se a rede foi alterada sem o cumprimento das regras da ANS ou se o substituto não atende às suas necessidades clínicas, você não é obrigado a aceitar passivamente.

Rede credenciada não é detalhe do contrato. É parte essencial do que foi vendido e contratado.

Se você está enfrentando problemas com o descredenciamento do seu hospital ou médico e sente que seus direitos estão sendo violados, não espere a situação se agravar. O tempo é um fator determinante em questões de saúde, procure uma advogada especialista.

Cada caso precisa ser analisado individualmente.

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ANA KARINA OAQUIM
Ana Karina Oaquim

Advogada e Assistente Social atuante, sócia do escritório AKOS Advocacia, com pós-graduação em Direito à Saúde e Direito de Família. Possui destacada expertise em ações de Home Care, atuando com foco na defesa integral do paciente e suporte familiar, unindo técnica jurídica e olhar humanizado. Seu objetivo é garantir o respeito e a dignidade do paciente e de sua família. Atua em ações em face de planos de saúde e do SUS É membro da Comissão Regional Sudeste de Direito à Saúde da Associação Brasileira de Advogados (ABA). Coautora de artigos em obras jurídicas especializadas e palestrante em webinários e eventos da área. Comprometida com a atualização constante e a excelência profissional.

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