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O papel do laudo médico nas ações de saúde: por que um relatório incompleto pode atrasar o tratamento

Nas ações de saúde que envolvem pacientes com doenças raras, tratamentos oncológicos e doenças autoimunes, muitas vezes marcados pela necessidade de medicamentos de alto custo e terapias especializadas, bem como por negativas do SUS e dos planos de saúde, existe um documento que costuma definir o sucesso ou a demora do caso: o relatório médico, conhecido popularmente como laudo.

Muitas pessoas acreditam que apenas a prescrição do medicamento ou a solicitação do tratamento são suficientes para o ajuizamento da ação judicial. Na prática, um relatório incompleto dificulta a concessão da tutela de urgência e atrasa justamente aquilo de que o paciente mais precisa: tempo. Em doenças raras e oncológicas, esse impacto é ainda mais grave, pois o atraso no início da terapia pode resultar na perda de janelas terapêuticas, na progressão da doença e no agravamento do quadro clínico.

Por isso, a documentação médica precisa ser clara, técnica e individualizada. O relatório é o instrumento responsável por demonstrar ao juiz a realidade clínica do paciente, explicando a doença, a gravidade do quadro, a urgência do tratamento e as consequências da ausência da terapia prescrita. Como o magistrado não possui conhecimento médico sobre as patologias e tratamentos existentes, esse documento funciona como a principal ponte entre a medicina e o direito, traduzindo em linguagem técnica a vivência clínica do paciente e oferecendo ao julgador os elementos necessários para decidir.

Entre os erros mais comuns estão laudos genéricos demais, descrição insuficiente da evolução clínica, falta de justificativa para a escolha do tratamento.

Um bom relatório deve trazer a história clínica completa do paciente com evolução, data do diagnóstico e CID, tratamentos já realizados, falhas terapêuticas anteriores, justificativa técnica para a indicação, riscos decorrentes da ausência do tratamento, benefícios que o paciente terá com o tratamento prescrito, informação sobre eventual registro na ANVISA e a urgência clínica do caso.

Também é importante sempre que possível, o médico estudos científicos, protocolos internacionais ou diretrizes médicas que sustentem a conduta adotada, pois esses elementos fortalecem o pedido, além de serem requisitos exigidos para se conseguir um tratamento não contemplado pelo SUS e planos de saúde.

Em ambos os cenários, quanto mais detalhado for o relatório, maior a chance de o magistrado reconhecer a urgência e deferir o pedido em caráter liminar.

A importância do relatório bem escrito e fundamentado, vai além do processo judicial. O mesmo documento pode embasar pedidos administrativos perante operadoras de saúde, Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde e INSS, além de requerimentos de benefícios assistenciais e previdenciários. Por isso, sua construção deve ocorrer desde o início do caso.

O advogado especializado em Direito da Saúde tem papel fundamental nessa etapa. Não para interferir na autonomia médica, mas para orientar quais informações jurídicas precisam estar demonstradas a fim de garantir maior efetividade ao direito do paciente. Pequenas adequações no relatório evitam indeferimentos e reduzem significativamente o tempo necessário para a obtenção da medida judicial. Essa articulação entre médico e advogado, feita desde o início, transforma o relatório em prova robusta e dificulta a manutenção da negativa. Na saúde, documentos não são meras formalidades. Eles representam a história clínica do paciente e podem determinar o acesso ao tratamento. Em situações nas quais o tempo é determinante, como nas doenças raras e no câncer, um laudo médico bem elaborado pode representar a diferença entre avançar rapidamente ou enfrentar meses de espera.

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KENIA CORREIA
Kenia Correia

Advogada graduada em Direito pela Universidade Estácio de Sá- Campus Vitória/ES, Pós-Graduanda em Direito Médico e da Saúde pela Faculdade Legale, pós-graduada em Direito Previdenciário pela Faculdade Cers. Atuante em Direito da Saúde com foco em doenças Raras e, em constante aperfeiçoamento profissional por meio de mentoria Master Saúde especializada na área do direito da Saúde.

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